segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Qual professor marcou a sua vida?

Por Lucas Matheus

Nada é por um acaso!
Durante os anos em que passamos pela escola, alguns professores conseguem ser mais do que simplesmente mestres.  É engraçado, mas existem situações em que o professor parece fazer parte da família. Comigo foi assim.
Lembro-me que na terceira série do Ensino Fundamental, quando ainda estudava no SESI, toda a turma estava ansiosa para conhecer a nova professora que assumiria a classe. Dúvidas e curiosidades não faltavam: “Será que ela vai ser legal?”, “Será que ela é brava?”, “Será que ela é bonita?”.
Antes de o sinal bater, um amigo e eu decidimos ir até a sala de aula para guardar os materiais, se não me falha a memória. Foi neste momento que a conhecemos. Aparentemente, ela parecia ser simpática. Tratou-nos muito bem. Saímos espalhando para o restante da classe que já tínhamos visto a nova professora. Selma era o nome dela.
O sinal bateu. Como já era de costume, aguardamos a vinda dela na fila para que pudéssemos seguir para a sala. Durante o “percurso”, um colega mexeu comigo. Deu-me um “cola” na cabeça, como a gente costumava dizer. Mas nada de rixa ou coisa parecia, era apenas uma brincadeira. Resolvi revidar. Fiz o mesmo.
Mas antes tivesse deixado quieto. A professora se virou justamente quando eu fui repetir a brincadeira. O garoto aqui era azarado ou não? Pois é, levei uma bronca... De leve, mas não deixou de ser uma bronca. Os dias foram passando, passando, passando... Até que outra situação desagradável aconteceu.
Nunca havia acontecido isso antes, até porque sempre fui muito responsável. Mas justamente naquele dia eu havia esquecido minha tarefa em casa. Quando percebi a falha, fiquei desesperado. Alguns colegas riam, não estavam nem aí. Mas eu não era assim. Resultado: fui para o livro de ocorrências. Era um caderno preto onde a professora anotava o nome dos alunos que não faziam tarefa ou se envolviam em alguma confusão.
Depois disso, nunca mais fui para o livro de ocorrências, também chamado de “livro negro”. O tempo foi passando e percebi que a professora Selma não era nenhum monstro, apesar dos gritos que dava com a sala de vez em quando. Notei que ela gostava de mim. Alguns colegas a chamavam de minha “puxa saco”. Mas essa não era a questão. Havia algo a mais.
Durante todo o tempo em que fui aluno dela, uma grande amizade foi surgindo. Amizade que se estendeu para minha casa, pois não demorou muito, e ela já se dava muito bem com meus pais. Tratava-me como se fosse um filho e me ajudou em alguns momentos que precisei. Aliás, não ajudou somente a mim, mas a minha família também.
Pude participar de vários momentos da vida dela, entre os quais, destaco o dia em que ela se casou. Também acompanhei seus nove meses de gravidez e a chegada da pequena Maria Eduarda que, hoje, é praticamente minha irmã mais nova. Não foi por um acaso que a chamei para ser minha madrinha de crisma. A mesma professora que chamou minha atenção logo no primeiro dia de aula e me colocou no caderno de ocorrências, hoje é parte da minha família. Tem o carinho e a admiração de todos na minha casa. É mais próxima e íntima do que muitos parentes. Existem diversas histórias que poderia contar, mas o espaço, certamente, seria insuficiente. Quero com este texto apenas externar meus agradecimentos a professora Selma que, como já deu para notar, jamais sairá dos meus pensamentos. Tive sorte, pois aprendi muito com ela dentro e fora da sala de aula. Enfim, nada é por um acaso!

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