terça-feira, 1 de novembro de 2011

Qual professor marcou a sua vida?

Por Marina Migliorucci
A necessidade de fazer um texto sobre o professor que marcou a minha vida me deixou preocupada durante todo o final de semana. Isso porque eu não tenho um professor que marcou a minha vida, tive vários. Cada um passou o que sabia para mim, alguns aprendizados levo comigo até hoje, outros infelizmente eu esqueci.
Tudo começou no Jardim de Infância, foi lá que aprendi a escrever e com o apoio da professora Elisa Bizzi, mais conhecida como “Tia Eliza”, escrevi o meu primeiro livro. “Coelhinha Fifi”, um livro infantil que não fez tanto sucesso no mundo dos escritores, mas que gerou orgulho para toda minha família.
O tempo passou, cheguei no colegial cercada de pressão e milhões de profissões que surgiam sem parar. Recebi o apoio de vários anjos. Colegial é aquela época que a gente tem mais de 10 professores e cada um deixa algo especial. Alguns que eu conhecia desde criança, como o professor Joir, que me apelidou carinhosamente de diarréia - por ter me ajudado na praia uma vez que fiquei doente -, ele sabia que eu odiava física, mas me obrigava a me esforçar mais e mais para poder passar no vestibular.
Hércules, professor de química, cowboy, cabeça grande, que não desistia de me explicar, mesmo quando até eu já tinha desistido de tentar entender os elementos e suas funções. Pupo, com suas incríveis performances na aula de história; Fausto, com sua mania de me usar como exemplo em todas as piadas de loira; Mário, com suas piadas engraçadas e a sua “mágica” de furar coco com bala e é claro o Augusto, que com sua incrível paixão pelo saber e seu amor pelos alunos e pela vida, tinha um jeito especial e todo romântico de ensinar biologia.
Cheguei na faculdade e cada dia fico mais feliz por ter a oportunidade de ter contato com tantos profissionais maravilhosos que são extremamente bons naquilo que fazem.
Porém, existe um professor que especialmente hoje merece uma homenagem especial. Infelizmente ele faleceu essa manhã, depois de ter lutado muito contra o câncer e de ter recebido a terrível notícia que seu filho também estava doente. Reynaldo Gianecchine, o Patão ou o “original”, como gostava de se apresentar. Ele não foi apenas um professor que tornou as aulas de química mais divertidas, ou que deixou as tardes de sexta-feira menos tediosas. Ele acreditava nos alunos dele, acreditava até naqueles que não paravam de brincar e não prestavam nunca atenção nas aulas, o amor por ensinar era enorme.
Sempre querendo que mostrássemos o nosso melhor, sempre com o maior orgulho do filho dele, um menino do interior tinha se tornado um galã e um dos homens mais desejados do Brasil. E coitado de  quem falasse mal do filho dele. Como qualquer pai, Reynaldo  defendia seu filho com unhas e dentes.
No segundo colegial, ele deu um susto em todos nós, foi para o hospital passando mal. Lembro que todos rezaram, pedindo que ele voltasse logo, ele voltou. E voltou com aquele ar de esperança dizendo que não devíamos desistir nunca. Patão ensinou além da química, o valor à família, o valor do saber, deu conselhos  e ensinou que não existe sentimento mais importante que o amor. O que ficou foi a saudade e os valores humanos que ele construiu em cada um de seus alunos.
Feliz Dia dos Professores para todos aqueles que me fizeram crescer e são responsáveis por tudo que sei hoje. Descanse em paz, meu querido Patão, seus alunos jamais esquecerão você.

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