quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Antes tarde do que nunca...

No dia 15 de outubro foi comemorado o dia do professor. Um dia antes fomos desafiados a escrever um texto sobre: “Qual o professor que mais marcou a sua vida e por quê?" Comecei a pensar na minha primeira série. Professor é aquela pessoa que começa a explicar como são dados os primeiros passos na vida. Ensina o que é matemática, português, história e geografia. Ensina o que é ganhar e perder, andar e correr.
Lembro-me de ter estudado em apenas dois colégios enquanto criança. No ciclo dois do ensino fundamental passei a estudar no Unicolégio, em Araçatuba. Acha que estava na fase adulta da vida. Que coisa. Lá conheci uma das melhores pessoas que o destino poderia colocar  neste caminho que vivemos e no papel de professor.
O professor de matemática, Marcos Canevari, o careca. Nunca fui muito boa em ciências exatas e mesmo achando-o o melhor professor do mundo, não consigo sequer me lembrar uma nota azul em sua matéria.  A identificação era tanta que nem ao menos atenção na aula eu conseguia prestar. Ele é amigo dos alunos e agiu sempre com muita rigidez e seriedade. Mesmo assim sempre foi admirado e cortejado. Todos, aparentemente, conseguiam compreender o conteúdo, menos eu. Ainda não se sabe o real motivo do déficit.
A primeira aula no primeiro colegial e eu me sentia mais adulta do que na quinta série. Isso seria óbvio? Estava pensando no vestibular e no colégio sempre existiu muita cobrança. Eles queriam todos os alunos em universidades públicas e minha mãe também.
Entra o professor de literatura, Mário César Rodrigues. Este é um nome para guardar na eternidade. Ele foi meu professor de Gramática, Redação, Arte, Literatura, assuntos do coração e da vida. Durante muitos meses, mais ou menos uns 36, ele nos mostrou um caminho de esperança, humor, letras, vírgulas e não ponto final.
Mário sempre filosofou muito sobre o que é viver. Isso tem a ver com a matéria, mas ele não teria a obrigação de ser nosso amigo. Ele poderia ensinar apenas a parte teórica do conteúdo, porém o dia a dia foi lapidando a amizade e mais que professor, ele se tornou um mestre.
Depois de alguns anos, fuçando no facebook, o vi pelas redes sociais. Bom, tenho que falar do domingo especial. Entrei no facebook, logo cedo, para ver o que se passava no mundo que não é redondo e o Marião estava on line. Claro, não poderia deixar de falar um “oi, como estou com saudades”, mas talvez ele pudesse não responder, não porque se esqueceu de mim, até porque acho difícil se esquecer de alguém que dormia das 7h da manhã até o meio-dia na primeira carteira. Não há como contradizer esse fato mais que real.
O desenrolar da história foi filosófico. Eu cresci, ele parece que não. Engraçadinho, poético, inteligente. Eu ainda com pouco humor, mais do que antes, nada poética e arrumando os parafusos do intelecto. O criador não fez um sistema para apagar essas coisas, graças a Deus. Não poderia deixar de expressar a minha imensa felicidade em trocar um punhado de palavras com ele, um reencontro virtual e umas pancadas de saudades no peito.
Ele continua no centro de reabilitação (onde estive da 5ª série ao cursinho), ensinando outros sobre como é a vida, o mundo, falando sobre futuro e a tontura da Terra, já que gira, menos que uma roda gigante, mas gira. Perguntei pra ele como estavam todos e ele: “Não mudou muito. Só nós todos e vocês que estamos melhores”.
Yeah! Melhores que ontem, não tão bons quanto amanhã. O pensamento pode ser piegas, mas na prática não é nada mal. O que quero dizer com tudo isso. Só lembrar o grande passo que damos todos os dias em direção a uma transformação que está diretamente ligada a algo ou alguém que nos conduz. O futuro tem muitas coisas preparadas para nós, mas mesmo se não tiver, a gente inventa.
Fiquei pensando que naquele tempo eu queria fazer faculdade de música, me dediquei bastante, mas não era o que o futuro tinha pra mim. Não sei dizer se estaria mais feliz do que sou agora, não fui ao futuro conferir, não tive a chance, nem queria mesmo. Se as coisas fossem diferentes eu não conheceria pessoas tão especiais quanto tenho hoje.
O bom é que agora estou aqui, fazendo o que eu não planejei, numa segunda-feira tão especial quanto o domingo em que encontrei o Marião online. 
E como ele mesmo disse, “o amor sabe o que faz. Enquanto ventos viajam, sentimentos conversam. Perdoe-se! Não existem fracassos; existem diagnósticos. Todos os sonhos impossíveis são apenas provisoriamente impossíveis. O melhor da vida é de hoje pra sempre. Os menores erros evitam as maiores perdas. Boas lembranças são boas companheiras. O passado não muda. O futuro não existe. O presente nos interessa. Vamos aproveitar o tempo, antes que a Terra fique tonta. Nada a reclamar. Nada a temer. Os dias podem ser melhores. As noites podem ser mais longas. Podemos dizer mais sins. O que seria do mundo sem as coisas que não existem? Não é pecado matar a saudade. Flores de plástico não têm beija-flor. O amor é uma amizade que amadureceu. Vôo é para quem sabe pousar. Sonho é para quem sabe lutar. Um brinde aos melhores momentos de nossas vidas! Um brinde também aos piores momentos: as nossas melhores lições. Vamos celebrar a vida. Democratizar a felicidade. Alegria é pra quem sabe ler”.
E sou tão feliz quanto eu poderia ser, igual ao domingo que acordo às 15h da tarde. Agora estou esperando próximo passo. Para onde que é nós vamos depois de ser feliz?
Ariadne Bognar, 4º semestre/Jornalismo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário